
A história de como The Next Day culminou para ser lançado todos já conhecem. Sigilo absoluto, reclusão total e tudo mais. Mas o que David Bowie tem a nos oferecer com 66 anos de idade? Ora, tudo! Se não por trás de um personagem, Bowie agora veste a máscara de si próprio. Talvez porque não tenha mais pique para encenação, vai saber. Porém, o camaleão do rock está em ótima forma. Sua voz continua potente, as letras são bem colocadas e os arranjos bem estruturados. Bowie ainda sabe como fazer música, boa música. O álbum parece ser uma retrospectiva de sua carreira. Heat, faixa que fecha o álbum com maestria, cabe perfeitamente no lado B de Low. How Does The Grass Grow? é envolvente, gruda, pop dos bons. Lembra de longe a aura de Let’s Dance. You Feel So Lonely You Could Die é uma balada excitante, gostosa de ouvir, com uma temática que influenciaria, mais uma vez, o Joy Division. Os dois primeiros singles que saíram antes do álbum ser lançado, Where Are You Now? e The Stars (Are Out Tonight), crescem mais ainda no contexto geral do álbum. David Bowie nos entrega muito mais que um trabalho acima da média e expectativa, nos presenteia também com a figura de um ícone em um mundo carente por ídolos.

Lorde é uma menina interessante e misteriosa da Nova Zelândia que, de acordo com as (poucas) informações, possui apenas 16 anos. A sua idade assusta por conta da qualidade musical que a Ella Yelich-O’Connor - seu nome verdadeiro - produz.
Além dessas informações, Ella tem um Instagram e liberou as músicas do seu primeiro trabalho, o EP “The Love Club” em sua conta oficial no soundcloud. Segundo sua página no Last Fm, a artista acaba de ser contratada pela Universal Music.
por: Lucas Guarniéri

Com uma essência basicamente psicodélica que alia traços da música barroca a doses generosas de folk, Jacco Gardner se revela na cena atual como um nome promissor.
O Holandês de 24 anos, por vezes comparado a nomes como Brian Jones e Syd Barrett, já soma a sua carreira além de dois eps lançados projetos anteriores como o duo The Skywalkers e sua colaboração no Lola Kite, criando sua sonoridade regada a cravos, mellotrons e instrumentos originalmente sessentistas.
Depois de ter voltado para si os olhares da crítica com seu ótimo single-debut Clear The Air, Jacco surpreende mais uma vez e nos entrega um álbum envolvente da primeira à última faixa, daqueles que sutilmente encantam por sua sonoridade leve e ao mesmo tempo tão peculiar, por assim dizer.
As melodias etéreas e adocicadas de Cabinet of Curiosities parecem convidar a um sonho ou transportar o ouvinte a alguma espécie de lugarejo bucólico e surreal perdido no tempo, ideia reforçada pela forte presença barroca e pelo romantismo de suas composições.
Outro ponto alto não apenas no disco, mas na música de Gardner de uma forma geral são as referências vindas da nossa mpb, mais precisamente da bossa nova e da tropicália dos anos 60, facilmente perceptíveis em suas faixas e que logo mostram o porque a música brasileira soa como o tipo de complemento perfeito ao trabalho do multi-instrumentista.
Em resumo, Cabinet of Curiosities é a síntese de um sentimento escapista que pode se manifestar em um sonho, uma viagem de ácido, um nascer do sol à beira da praia ou até em uma situação inesperada, tudo depende da empatia imediata que se segue tão logo se ouvem os primeiros acordes.
Nota: 8.9
por: Aline Alves

Revelação em 2011, o compositor britânico que se consagrou com seu dubstep experimental está de volta. E com ótimas notícias para quem esperava algo sobre o sucessor de seu debut homônimo.
Durante a semana, James Blake não só anunciou seu retorno com Overgrown, que deve ser lançado em 8 de abril, como também lançou ao vivo e com exclusividade para a BBC Radio 1 “Retrograde”, primeira faixa de seu novo trabalho. Ouça logo abaixo:
por: Aline Alves

Depois de co-produzir projetos com gente como Charlotte Gainsbourg e Thurston Moore, entre vários outros, a nova investida de Beck consiste em recriar grandes clássicos da música e do cinema sob um olhar inovador.
Desenvolvida em conjunto com a Lincoln (divisão de luxo da montadora Ford), a primeira edição do projeto intitulado “Hello, Again” traz logo de cara uma versão de Sound and Vision, do David Bowie, ao lado de uma orquestra formada por mais de 170 músicos, gravada em um formato 360º onde os espectadores poderão interagir mudando os ângulos e a direção do áudio enquanto assistem em tempo real.
Com a direção de Chris Milk (Arcade Fire), o resultado será divulgado neste domingo, dia 10. Confira o teaser:
por: Aline Alves

Ira Kaplan e Georgia Hubley não fazem parte de uma banda, e sim de um matrimônio. Em quase três décadas de carreira, esse casamento rendeu bons frutos à música.
Fade, seu décimo terceiro filho, é o mais gentil dentre todos. O álbum que vazou nos últimos suspiros de 2012, foi lançado apenas neste ano deixando-o de fora das listas de melhores do ano passado.
Porém mesmo com vários gigantes da música preparando material novo neste ano (David Bowie, My Bloody Valentine, Depeche Mode), o mais recente trabalho do Yo La Tengo merece seu lugar ao sol. A não ser que, mesmo com um álbum bem superior a média de discos lançados atualmente, o casal indie de ouro continue sofrendo da síndrome de subestimação que os assombram desde o início.
Sua carreira concisa e eficiente não deve nada a bandas da mesma época, como o R.E.M e o Sonic Youth. Aliás, saem na frente por terem uma aliança mais duradoura. Ambas as bandas não estão mais em atividade, e o YLT segue firme.
Deixando de lado a presença constante de guitarras para dar lugar a outros instrumentos de cordas e sopro, Fade, que é aberto com a ótima Ohm, é simpático e apetece aos ouvidos.
McEntire que agora faz parte do grupo deixa sua marca na faixa Cornelia and Jane, canção que se encaixaria perfeitamente na sua antiga banda Sea and Cake.
Esta união não poderia resultar senão, em uma transposição pessoal em forma sonora, que apresenta para o mundo, o resultado de um matrimônio cujo amor é inteiramente a música.
Nota: 8.4
por: Lucas Guarniéri
Hurts - Miracle
Depeche Mode - Heaven
Yo La Tengo - I’ll Be Around
Animal Collective - Applesauce

Já imaginou o rei do rock cantando clássicos de outras bandas consagradas? Ter uma versão de Love Will Tear Us Apart, clássico máximo do maior nome do post-punk da história Joy Division, seria cronologicamente impossível já que Elvis morreu em 1977, ano que a banda estava começando a sua carreira deixando de lado o antigo nome, Warsaw, para se tornar Joy Division. Além do mais, o hit do grupo inglês só foi lançado em 1980… Impossível.
Aliás, nem tão impossível assim. Ouvir esses clássicos cantado pelo próprio Elvis de fato não é possível, mas ouvir em sua voz, bem isso é possível.
Um artista no Youtube que se denomina The King, fez alguns covers imitando a voz do Elvis Presley. Fiquei espantado com a semelhança das vozes e como ficou interessante as versões com a voz do rei.
Love Will Tear Us Apart / Come As You Are
Ouçam mais depois do pulo

Um dos muitos álbuns que eu estou aguardando nesse ano que promete é o novo da banda oitentista de sintetizadores, Depeche Mode.
O novo álbum será lançado no dia 26 de março e se chamará Delta Machine. Heaven foi a música escolhida como primeiro single e não se parece nada com Depeche Mode.
A música não carrega nenhuma herança no último álbum Sound Of Universe (um dos álbuns que mais ouvi em 2009) o que pode desagradar alguns ouvintes.
A canção possui uma pegada mais soturna com arranjos impecáveis, mas por enquanto as opiniões estão divididas.
MGMT dá informações sobre o novo álbum da banda:

A banda Indie formada por Andrew Vanwyngarden e Ben Goldwasser surgiu ainda como The Management lá em 2005 no Brooklyn. Chegaram a lançar um álbum com esse nome, mas o estouro só veio mesmo com o segundo álbum e a mudança de nome.
Agora como MGMT e um álbum chamado Oracular Spetacular, os dois amigos provaram do mel açucarado do mainstream com hits como Kids, Time To Pretend e Eletric Feel. Seu indie festivo, com uma pegada de psicodelia virou o mundo independente de pernas por ar.
Aliás, MGMT foi uma banda genuinamente Indie, sem gravadora, tudo feito por eles, para só depois assinar com a Cantora Records e finalmente com a Columbia Records e Red Ink. Enfim, com o sucesso estrondoso do álbum, a gravadora os deu carta branca para aflorarem sua criatividade, o que resultou no Congratulations. Um álbum certamente mais maduro que deixou de lado a alegria e os sintetizadores agudos do disco anterior para dar lugar a um trabalho mais experimental regado à um pouco de psicodelia.
Bom, não era aquilo que o público buscava ouvir, o fracasso comercial obviamente veio, e com isso boatos surgiram afirmando que a gravadora iria observar de perto a produção do terceiro álbum.
Em entrevista recente ao grande jornal Inglês The Guardian, Ben deu a entender que isso não irá de fato acontecer, quando afirmou que o álbum será bem mais estralho “Nós não estamos tentando fazer música que todo mundo entende na primeira vez que eles ouvem”. E VanWyngarden bateu a estaca e deu o veredicto final: “Não existe a ilusão por parte da gravadora (Columbia) que nós iremos chegar no Top 40 de bandas”.
Péssimas notícias para quem esperava algo parecido como Kids, e ótimas para aqueles, que como eu, preferem o som mais viajado e maduro do Congratulations. O grupo ainda deu informações sobre uma nova música chamada Alien Days, que eles definiram como “aquela sensação quando um alien parasita está na sua cabeça controlando as coisas”.
O novo álbum do duo, que será homônimo, será lançado em junho e segundo os membros, as influências vão desde Aphex Twinx até house music e conta com produção de Dave Fridmann (Flaming Lips).
Minha faixa favorita do Congratulations:
por Lucas Guarniéri